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RESENHA

“Tapete
Vermelho”, de Luiz Alberto Pereira, Brasil, 2006
Por: Aluizio
Moreira Filho - aluiziofilho@cinepoetica.com
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Os
primeiros minutos de "Tapete Vermelho" podem
comprometer negativamente a avaliação prévia
do público. Os personagens passam muito tempo na
tela representando caricaturas exageradas da roça
sem que a trama e o espaço para o humor se estabeleçam
de fato. O ritmo do filme só engata quando começa
a ganhar, aos poucos, a forma de um roadmovie. A partir
daí, Matheus Nachtergaele nos oferece momentos
hilários na pele de Quinzinho, que sai da sua roça
com sua esposa Zulmira e o burro Policarpo para cumprir
a promessa de levar seu filho Neco, de 10 anos, para assistir
um filme de Mazzaropi.
A esteriotipação
de personagens é um grave recurso em muitos roteiros,
mas quando se trata de comédia, desde que se assuma
a função cômica, não há
grandes problemas. Inclusive o próprio Mazzaropi
foi um dos atores que mais bem encarnaram o tipo "Jeca",
que "Tapete Vermelho" faz referência.
Matheus Nachtergaele, que é o "Jeca"
Quinzinho, repete neste longa de Luz Alberto Pereira,
o sucesso de atuação realizado em "O
Auto da Compadecida". |
Na exibição no
"Cine-PE - Festival do Audiovisual" deste ano, a
recepção do filme foi calorosa, arrancando aplausos
da platéia diversas vezes durante a projeção.
O mesmo ator ainda participava do elenco de outro filme em
competição no festival ("Àrido Movie"),
onde representava um sertanejo também caricato.
É importante analisar
que assistir a um filme de Mazzaropi vai mais além
do que assistir simplesmente um filme. A busca por Mazzaropi
é a busca da própria identidade cultural daquela
família. Identidade difícil de ser vivenciada
nos cinemas e na maioria dos meios de comunicação
atualmente. Dessa forma, o filme acaba entrando sutilmente
no debate da falta de democratização nos meios
de massa. A dificuldade de Quinzinho e sua família
em assistir Mazzaropi no cinema é a mesma dificuldade
encontrada por outras minorias que são forçadas
a entrar na padronização dos gostos.

Entre decepções
e motivações, Quizinho, Neco, Zulmira e Policarpo
seguem a estrada tendo encontros bastante inusitados. O mais
significativo é com um militante do MST, que oferece
à família uma carona. Depois eles se reencontrariam
num acampamento do movimento, que devido a retaliação
da polícia, Neco termina se perdendo de sua família.
A reviravolta dramática apesar de funcionar, acaba
se estendendo um pouco, colocando a trama principal em segundo
plano.
O roteiro abre
espaço nessa hora para uma leve sátira religiosa.
Quinzinho entra numa igreja evangélica inconsolável
pela perda de seu filho e logo se retira pelo estranhamento
aos rituais da igreja. Ao saber que antes de ser uma igreja
ali funcionava um cinema, Quinzinho descobre no “lixo”
diversos rolos de Mazzaropi. Só faltava encontrar o filho,
que foi até mais rápido.

No fim do filme,
Quinzinho luta para que um cinema da cidade exiba os rolos dos
filmes de Mazzaropi. Ao repetir a cena do vídeo exibido
no acampamento do MST, Quizinho chama atenção
da mídia e realiza seu sonho. Uma conquista também
rápida demais em relação à luta
do MST. “Tapete Vermelho” termina com um “Happy
end” que não nos move para o que ele tenta dizer.
Um filme sem grandes pretensões, que não polemiza
os temas que propõe, mas que diverte e os trata com bastante
responsabilidade.



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