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RESENHA

Teorema, de Pier Paolo Pasolini (Teorema,
Itália, 1968)Por: Hugo de Lima
- hugodelima@cinepoetica.com
Uma crítica impiedosa à sociedade atual,
uma alegoria da "vinda do Messias", uma alusão
à hagiografia usada em filmes anteriores do diretor e
roteirista (como "Accattone" e o "Evangelho
Segundo São Mateus"). O escritor, cineasta, filólogo,
literato, crítico político e historiador da arte Pier
Paolo Pasolini mostrou em "Teorema" um estudo
essencial sobre o vício humano e a mudança e a destruição
de uma casta (a burguesia) por estes hábitos sintetizados,
no filme, ao pó, ou a um deserto imenso que o diretor
insistiu em mostrar durante todo o tempo.
A história inicia contextualizando a família
burguesa, fonte deste filme. Angelino, um carteiro, anuncia
(de forma bastante alegre) a chegada de um estudante de
engenharia que passaria uns dias com esta família. O hóspede
pode ser considerado de duas formas (que já apresentei
no primeiro parágrafo). A primeira é a de um messias.
Se considerarmos os elementos cristãos presentes na obra
de Pasolini, ele seria "Jesus Cristo". O hóspede
passa a mostrar a verdade e o desejo, a pureza e a cobiça.
Ele cerca com sua "força" cada um dos presentes
na casa, mostra o que tem de mostrar e se vai. A segunda
é o vício de um elemento que entra na vida deles e, a
partir disso, passam a buscá-lo. |
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O Hóspede |
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O hóspede, quando chegou, influenciou o
pensamento e o modo de agir de cada um. A mãe, o pai,
a filha, o filho e a empregada. Pasolini mostra também,
ao mesmo tempo, não uma influência, mas uma libertação
personificada em cada um. O destino do pai foi o de perder
a vergonha e correr até o fim do deserto de "insignificados"
que construiu. A mãe passa a buscar outros jovens para
relacionar-se sexualmente, sempre tentando achar um pouco
do hóspede nesses outros. A filha fica louca e o filho
se degenera em sua verdade. A empregada, por sua vez,
exila-se e busca em seus profundos pensamentos a salvação.
Torna-se, enfim, uma santa e, possuindo tal glória, retira
seu corpo e o enterra.
"Teorema" tenta poeticamente quebrar
tabus. Ao mesmo tempo mostra como os integrantes sociais
sucumbem quando descobrem que tudo o que lhes importa
não importa nada.
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Cada integrante da família pode representar
uma vertente da rede de produtos que denotam dessa descoberta.
E todos esses resultados parecem ser horríveis, assoladores,
pertubadores. A única quebra que existe na trama está no carteiro,
"no mensageiro do messias", pois só ele sabia a
verdade e que a verdade seria revelada em breve.
Quando o filme foi lançado, Pasolini foi
acusado de ser um reacionário. A história, evidentemente, mostra
o contrário. O que Pasolini passou à película não foi o seu
desejo pessoal. A verdade, por si só, massacra, principalmente
numa sociedade que mascara suas intenções, que oprime com suas
moralidades o espírito livre do homem.
"Teorema"
é uma das obras mais importantes do chamado "Cinema de
Poesia", tese pasoliniana que define e separa obras "poéticas"
das obras que considerava "prosaicas". Dos motivos
dessa idéia, destaca-se a não-linearidade dos filmes. O diretor
italiano buscou intensamente uma forma de quebrar essa ortodoxia
do cinema que fazia histórias início-meio-fim. Influenciado
pela liberdade da poesia, ele fez não só isso, mas também uma
mescla entre linguagens (no caso, a literária e a cinematográfica).
Sem dúvidas, um filme excepcional.


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