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RESENHA

"Capote",
de Bennett Miller, EUA, 2005Por:
Aluizio Moreira Filho - aluiziofilho@cinepoetica.com
Truman Capote é tido como o precursor do
estilo Jornalismo Literário. Alguns chamam de Romantismo
de Não-Ficção ou Jornalismo Novo, mas em essência significa
a mesma coisa: fundir elementos de narrativas ficcionais
com a objetividade jornalística. O filme Capote,
de Bennett Miller, versa justamente sobre a vida deste
jornalista inovador na sua profissão e dono de uma personalidade
singular no período em que constrói o livro inaugurador
do novo gênero: À Sangue Frio. Baseado na
biografia homônima de Gerald Clarke, o filme pode ser
considerado híbrido, a partir do momento em que se estreita
no período da elaboração do livro À Sangue Frio.
Essa decisão do roteirista Dan Futterman comprometeu o
aprofundamento psicológico tanto do Capote como dos assassinos
que são matérias-prima do livro do jornalista. Apesar
da excelente atuação de Philip Seymour Hoffman, Truman
Capote beira a caricatura. De duas uma: ou o foco adotado
deveria se basear na descrição psicológica dos assassinos,
encontrada no livro À Sangue Frio, ou o foco
deveria ser a vida de Capote, e não apenas uma fase de
sua vida. |
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Cartaz
do filme |
Além do filme
não abordar nada a respeito do gênero utilizado por Capote,
há quem aponte as relações entre jornalismo e literatura anteriores
ao do jornalista americano. A obra pós-moderna Os Sertões
de Euclides da Cunha por exemplo, segue a mesma perspectiva
do que hoje é chamado de Jornalismo Novo. Apesar do autor brasileiro
não ter tido essa pretensão, a sua narrativa literária acabou
dando à Guerra de Canudos uma conotação e uma dimensão que jamais
teria se dependesse da mídia na época. Salvo as diferenças,
Euclides e Capote passaram por transformações semelhantes no
plano pessoal ao concluírem suas obras.

Capa do livro de Truman
Capote. |
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Euclides da Cunha antes de partir para Canudos
publicou dois artigos expressando que havia no sertão
baiano um levante pelo restabelecimento da monarquia.
Ao ser enviado pelo jornal O Estado de São Paulo como
correspondente, mudou sua opinião sobre os sertanejos
e a rebelião. Quando volta a São Paulo, decide escrever
o livro vingador Os Sertões, onde denunciaria
o extermínio de aproximadamente 25 mil pessoas e a realidade
miserável do sertão. Da mesma forma, durante o filme Capote
o protagonista mostra-se extremamente abalado devido às
confissões dos assassinos. Sua dependência com o álcool
aumenta, sua relação com Jack Dunphy se desestabiliza,
seu humor sempre expansivo quase que extingue e sua serenidade
mental é perturbada. No entanto, Truman possui uma personalidade
bem marcada e isso não se alteraria mesmo com o convívio
constante com os assassinos de Holcomb. |
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Truman Capote é astuto, arrogante, ávido
por reconhecimento. Em certas ocasiões aparenta querer
aparecer, ser notado a todo custo. Assim, quando se interessa
pelo assassinato, passa a enxergar os assassinos como
um meio de conseguir o que queria. Álibis, promessas fantasiosas
e mentiras foram as bases da relação de Capote com os
assassinos Smith e Dick Hickock. Truman primeiro conquistou
a amizade e a confiança deles, mas ao mesmo tempo era
passivo quanto à sentença de pena de morte dos acusados.
A personalidade de Capote é um reflexo da tendência moderna.
Ambição, sucesso e decadência fazem parte de um ciclo
comum numa mentalidade que subestima as conseqüências
do que faz para conseguir o que realmente quer. Essa tendência
vale igualmente para indivíduos, empresas e países. |
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