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RESENHA

“A Grande
Sedução”, de Jean-François Pouliot,
Canadá, 2003
Por: Aluizio
Moreira Filho - aluiziofilho@cinepoetica.com
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A Grande
Sedução” encerrou o Festival de Cannes
em 2003 anunciando a estréia do canadense Jean-François
Pouliot. No Festival Sundance do ano seguinte foi eleito
o melhor filme pelo público e aqui em Recife ele
foi exibido na II Mostra Francófona, se diferenciando
do tom mórbido e dramático de outros filmes
como “A Discreta Intimidade de uma Mulher”,
“Clandestinos” e “Sobre meus Lábios”.
Se precisarmos classificar
o gênero de “A Grande Sedução”,
mesmo que por um exercício burocrático,
eu enquadraria numa comédia. É isso que
Pouliot propõe desde o início, quando tenta
retratar a rotina dos moradores da pequena cidade de St.
Marie. Com humor delicado, o filme abre mostrando a semelhança
no modo de viver desses habitantes, semelhança
que certamente não existe numa cidade grande. A
afinidade entre os moradores é tanta que até
a hora da intimidade na cama se coincide. A rotina de
St. Marie é quase um ritual.
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A vida na cidade,
no entanto, está ameaçada pela própria
situação econômica, já que a atividade
pesqueira já tinha acabado há 15 anos. A única
saída seria a instalação de uma fábrica,
que daria emprego a todos e faria com que a cidade voltasse
a crescer. Para isso, a empresa exige um médico na cidade,
o que St. Marie não tem. Depois que o antigo prefeito
se torna guarda de trânsito, acaba enviando o médico
Christopher Lewis para a cidade em troca da anulação
da multa. A partir daí se estabelece o grande desafio
dos 100 habitantes de St. Marie e seu novo prefeito: oferecer
a melhor estadia ao médico para que o mesmo acabe assinando
o contrato de cinco anos como médico da pequena cidade.
Os planos e os
truques que os moradores põe em prática nos oferecem
cenas hilariantes. O humor de “A Grande Sedução”
consiste justamente na tentativa deles quererem mostrar uma
cidade que não existe. A sustentação das
mentiras tanto para o médico como para a empresa geram
piadas de todos os tipos, das finas às mais clichês.
A tentativa do diretor de querer segurar o espectador apenas
pelo riso provoca uma tentativa desenfreada de contar uma piada
atrás da outra, o que acaba preenchendo o filme de lugares
comuns. Até mesmo quando se envereda na linha dramática,
como no paradeiro do pai do médico, o filme perde a originalidade
dando um desfecho bem previsível ao caso.
No entanto, a
guerra entre originalidade x clichês que se estabelece
em “A Grande Sedução” pode terminar
com o veredicto de quem o assistiu. Numa época em que
as peripécias de Jim Carrey e a franquia satírica
Todo Mundo Em Pânico não convencem mais como filmes
de comédia, o filme canadense em questão é
uma alternativa. Sua originalidade está na ingenuidade
de seu humor e na manipulação sábia do
imaginário coletivo da cidadezinha St. Marie.


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