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ARTIGO

Os anos 90
do cinema do Brasil.
Por: Aluizio
Moreira Filho - aluiziofilho@cinepoetica.com
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O cinema
brasileiro feito na década de 90 foi categorizado
dentro da nossa história cinematográfica
como um período denominado “Retomada”.
Não existem evidências de quem tenha criado
esse termo, mas sabe-se que nasceu na imprensa e até
hoje é usado, se legitimando inclusive, no meio
acadêmico. Essa definição, no entanto,
soa relativamente vaga. Afinal, trata-se um movimento
estético no cinema? Um movimento temático?
Ou melhor, a “Retomada” retoma o quê?
Por quem? Antes de
responder essas perguntas devemos ter em mente o quanto
inconstante é a nossa produção cinematográfica.
Não temos, como os EUA e a Europa têm, uma
indústria cinematográfica constante. Nosso
cinema possui fases, altos e baixos. Concluímos
então que a situação socioeconômica
de um país está intimamente ligada a força
de sua produção cultural. Com isso não
quero dizer que nosso cinema e outras artes são
limitadas criativamente, mas sim frágeis nos seus
aspectos conjunturais. |
A “Retomada”,
por exemplo, é o período posterior à existência
da Embrafilme, órgão do governo militar que visava
fortalecer nosso cinema. A iniciativa mesmo não sendo
unânime entre os cineastas, conseguiu promover o cinema
nacional no sistema interno e distribuir nossos filmes no exterior.
A Embrafilme, no entanto, entrou em crise a partir da década
de 80. O custo de promoção e exibição
dos filmes no território nacional subiu muito, sendo
inevitável seu fechamento no governo de Fernando Collor
de Melo. Essa medida teve um forte impacto, estagnando bruscamente
a produção fílmica de nosso país.
“Os anos
90 caracterizam-se inicialmente pelo hiato da produção
ocorrida no governo Collor, com a desativação
abrupta de toda infra-estrutura então existente (...).
O cinema, como todo empreendimento humano substancial e essencial,
ressurge paulatinamente logo em seguida, contando, segundo
noticiário da imprensa, cinco filmes realizados em
1994, doze em 1995, trinta e cindo em 1996, e, ao que tudo
indica, número superior a este último, em 1997”
(BILHARINHO, 1997:174)
Essa recuperação
se deu no governo de Fernando Henrique Cardoso, através
de Leis de Incentivo à Cultura, uma forma de atuação
do Estado advinda de outras épocas. Esse período
de retomada da produção teve como marco
inicial o filme “Carlota Joaquina, a Princesa do
Brasil” (1995), de Carla Camurati. Porém,
pesquisadores de cinema como Ismail Xavier defendem que
a Retomada tenha iniciado em 1993 com filmes como “Capitalismo
Selvagem” (1993), de André Klotzel, e “Alma
Corsária” (1993), de Carlos Reichenbach.
A tentativa
de estabelecer um fator comum entre os filmes da “Retomada”
estará fadada ao fracasso, pois não se trata
de uma retomada de estéticas ou temáticas
passadas. Enquanto a proposta do “Cinema Novo”
era ter a preocupação de construir uma identidade
nacional, até então não presente
nos diretores, o cinema da “Retomada” diz
respeito unicamente ao movimento de reposição
dos filmes nativos no cenário nacional frente às
conseqüências do fechamento da Embrafilme. |
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A Retomada traz
consigo uma maior preocupação de diretores e produtores
com o mercado e com o lucro. Filmes produzidos pela Globo Filmes,
como “Sexo, Amor e Traição” e “A
Dona da História”, são exemplos dessa tendência
mercadológica que se distancia cada vez mais do circuito
cultural para se centrar unicamente na busca do retorno financeiro.
Infelizmente a produção nacional está caminhando
para esse monopólio da Globo Filmes. Essa ascensão
do cinema brasileiro nestes últimos vinte anos pode,
de fato, pôr fim aos ciclos produtivos que nosso cinema
enfrenta. No entanto, o desafio é, desde já, a
democratização do acesso à produção
do cinema e de outras artes. Algo que não pode ficar
restrito à Globo Filmes. Não podemos ficar restritos
ao consumo de seus produtos.

O Baile Perfumado, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira

BILHARINHO, Guido. Cem anos de
cinema brasileiro. São Paulo, Uberaba: Instituto Triangulino
de Cultura, 1997.
CAMPOS, Renato
Márcio Martins. História do Cinema Brasileiro
- Os Ciclos de Produção Mais Próximos ao
Mercado.
Revista Teorema,
Porto Alegre, nº 8, Dezembro de 2005.

FIGUEIREDO, Alexandre. Cinema Brasileiro
nos anos 90: Crise e Retomada <http://geocities.yahoo.com.br/adeusanosnoventa/crise_cinema.htm>,
acessado em 13.03.06.


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